acesso ao inconsciente: fotografia e meditação – jun 2013

o silêncio da imagem 

o fotógrafo Claudio Edinger mostra como a meditação pode impulsionar a criação artística

por Bruna Escaleira

Ele já viajou meio mundo, fotografou paisagens extasiantes, personagens famosos, cenas excêntricas e até os limites da loucura. Tudo isso para perceber que sua maior fonte de inspiração não estava no que via, mas dentro de si mesmo.

Nesta segunda-feira, 17 de junho, o premiado fotógrafo Claudio Edinger contou como a prática diária da meditação se tornou o principal combustível para sua criação artística no encontro “Acesso ao Inconsciente – Fotografia e Meditação” na casa neo10.

O primeiro passo foi avisar aos participantes que o tema da conversa não seria algo extraordinário, mas simples e trivial: começamos pelo ar. Acalmar a respiração é uma das melhores maneiras de serenar a mente para escutar seu próprio silêncio e entrar em estado meditativo. “Nossa energia vem do ar, mas banalizamos o ato de respirar de tal maneira, que nem a sentimos. Precisamos senti-la para aproveitar todo seu potencial”, propõe Claudio.

Dessa forma, o fotógrafo conduziu exercícios para serenar a mente e introduziu algumas técnicas meditativas. Em poucos minutos, já era possível perceber o grupo menos agitado e mais concentrado. Claudio explica, no entanto, que o aprofundamento da meditação vem com o tempo, com a prática diária. “É como a fotografia, que é muito ciumenta, é preciso investir seu tempo nela”, diz.

“A meditação não é sempre igual, é uma espiral em que você se aprofunda. A cada dia, há algo novo para se ouvir dentro de si, a consciência e o silêncio aumentam”, explica. “Mas onde você encontra silêncio em São Paulo?”, pergunta um dos participantes. “O silêncio verdadeiro é aquele que você mesmo constrói”, responde o fotógrafo.

Para ele, esse silêncio é a transcendência de que precisamos para acessar nosso inconsciente e buscar inspiração para a arte. Nessa busca, “o maior adversário é nossa própria mente, mas uma vez que conseguimos vencê-la, ficamos muito mais fortes, é um obstáculo que nos ajuda”, diz.

O mesmo aconteceu em relação a sua carreira. “A minha sorte é que meu começo na fotografia foi muito difícil, cheguei a ter sete livros prontos sem conseguir publicar nenhum. O grande desafio do artista é ver essas portas fechadas como uma oportunidade para abrir novos caminhos. Quando conseguimos, ficamos tão fortalecidos que descobrimos que nossa fonte de inspiração é inesgotável”, conta.

Fica o convite para acessar seu silêncio, um convite pessoal e intransferível que, no entanto, pode ser compartilhado por meio da arte.

 

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